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Aniceto Molina

Acordeonista colombiano de cumbia e a passagem do som sabanero da costa caribenha para o México e o Texas

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Aniceto Molina Aguirre ocupa um lugar singular na história moderna da cumbia como o acordeonista, cantor e compositor que levou o idioma sabanero das terras baixas caribenhas da Colômbia aos circuitos migratórios do México e do sul dos Estados Unidos.[1] Nascido em 17 de abril de 1939 em Pueblo Nuevo, no departamento colombiano de Córdoba, começou a tocar acordeão aos doze anos e manteve uma carreira fonográfica que se estendeu por mais de quatro décadas.[1] Sua trajetória refletiu a própria dispersão do gênero, pois a cumbia irradiava-se de seu núcleo colombiano desde a década de 1940, adquirindo características regionais distintas em quase todos os países aos quais chegava.[2] Enquanto muitos intérpretes de música tropical permaneceram vinculados a um único mercado nacional, a vida de Molina transcorreu em três deles, e seu repertório tornou-se um tecido conjuntivo que ligava a Colômbia litorânea aos públicos da cumbia no México e nas regiões fronteiriças mais além.

A própria cumbia é um gênero folclórico e uma dança de pareja enraizados na região costeira da Colômbia, onde é executada sem que os parceiros se toquem, enquanto um homem corteja uma mulher em uma coreografia circular iluminada por velas.[2] Em sua encenação tradicional, a mulher repele o pretendente com velas acesas em uma das mãos, enquanto o homem conduz um sombrero vueltiao em direção à cabeça dela como emblema da conquista amorosa, em uma pantomima frequentemente interpretada como o encontro entre um homem africano e uma mulher indígena.[2] Pesquisadores que trabalham em uma vertente afro-decolonial situam a forma em uma rede transatlântica de práticas afro-diaspóricas, colocando-a ao lado da chilena afro-mexicana, da champeta colombiana e do gwoka de Guadalupe.[3] Essa genealogia apresenta a cumbia menos como uma invenção puramente colombiana do que como produto das mestiçagens culturais que uniram a África, o Caribe e a América Latina.

Quando Molina atingiu a idade adulta, a cumbia havia muito deixara de pertencer a uma única nação. A partir da década de 1940, suas formas comerciais e modernizadas difundiram-se pela Argentina, pelo Peru, pelo México, por El Salvador e por uma dúzia de outras repúblicas, cada qual cultivando sua própria variante, de modo que o termo abrangente passou a abrigar uma profusão de ritmos, danças e gêneros locais.[2] Essa difusão pan-americana proporcionou as condições para que um intérprete do perfil de Molina encontrasse públicos receptivos longe da Colômbia, uma vez que a gramática básica da música já era conhecida em todos os lugares onde se apresentava.

O capítulo mexicano da história da cumbia, no qual Molina acabaria por se inserir, começou efetivamente no final da década de 1960, quando conjuntos que tocavam o som corralero do Caribe colombiano realizaram turnês pelo México.[4] Sua passagem fomentou grupos locais ao longo do litoral afrodescendente da Costa Chica, no sul do país, onde um conjunto, Mar Azul, ajudou a criar um híbrido chamado merequetengue, que fundia texturas importadas com a identidade regional.[4] Dessas trocas cristalizou-se o que hoje é reconhecido como cumbia mexicana, um subgênero que tomou o original colombiano e o reinventou para os ouvintes mexicanos.[5] Permanece controverso se essas variantes afro-mexicanas constituem uma prática musical distintamente “negra”, pois a estrutura indigenista predominante no México por muito tempo ocultou a presença africana no país, e os pesquisadores continuam a debater a questão.[6]

Molina mudou-se para a Cidade do México em 1973 e lá permaneceu até 1984, residência que o colocou no centro da economia da música tropical da capital precisamente durante os anos em que a cumbia consolidava seu público mexicano.[7] Sua presença integrou um fenômeno translocal mais amplo, no qual repertórios costeiros circulavam muito além de seus locais de origem, tornando-se elementos permanentes da vida musical de populações migrantes tanto na Cidade do México quanto em diversos estados.[8] O alcance do gênero nesse período estendeu-se até mesmo às economias de lazer das cidades turísticas, onde, como demonstrou um estudo etnográfico de Acapulco, a cumbia ocupava uma posição distinta no consumo socialmente estratificado da música recreativa.[9] Os onze anos mexicanos de Molina coincidiram, portanto, com a passagem da cumbia de novidade importada a componente duradouro do gosto popular.

Foi durante a segunda metade de sua permanência no México que Molina fundou seu conjunto mais longevo, Los Sabaneros, em 1979, nome que evocava as planícies de sabana do interior caribenho onde nascera.[10] Por meio desse grupo, fixou na memória popular um conjunto de números emblemáticos — entre eles “El Campanero”, “La Cumbia Sampuesana”, “La Burrita” e “La Gorra” — que se tornaram presenças constantes nos salões de cumbia.[10] Sua produtividade foi considerável: a discografia estende-se de uma estreia em 1960 por uma cadência quase anual de álbuns cujos títulos, desde antologias de vallenato até experimentos com influência de mariachi, registraram seu movimento constante entre as raízes colombianas e os idiomas mexicanos adotados.[10]

Em 1984, Molina deixou o México e foi para San Antonio, Texas, transferindo sua carreira para uma região cujas populações mexicano-americanas e centro-americanas pertenciam ao mesmo público translocal da cumbia que ligava comunidades migrantes de vários estados norte-americanos às suas origens costeiras.[8] Permaneceu radicado na cidade pelo resto da vida e morreu ali em 30 de março de 2015, aos 75 anos, após ter sido internado em fevereiro daquele ano com uma infecção bacteriana nos pulmões.[11] Uma série de lançamentos póstumos naquele mesmo ano ampliou seu catálogo para além de sua morte, uma coda apropriada para um artista cuja produção fonográfica havia muito ultrapassava os ritmos ordinários de uma única carreira.[11]

Vista em retrospecto, a carreira de Molina condensa um padrão mais amplo de intercâmbio cultural Sul-Sul: o deslocamento de uma forma popular afro-caribenha entre comunidades rurais e diaspóricas das Américas, em vez de seguir as rotas mais conhecidas que irradiavam dos centros metropolitanos.[12] Sua cumbia conduzida pelo acordeão carregava, ainda que indiretamente, a genealogia afro-diaspórica transatlântica que vincula a música da costa colombiana às correntes mais amplas que unem a África, o Caribe e a América Latina.[12] Embora o peso preciso das heranças africanas, indígenas e europeias nessa linhagem permaneça objeto de debate acadêmico, a duradoura popularidade de Molina através das fronteiras nacionais atesta a capacidade da cumbia de servir, onde quer que tenha chegado, como veículo de identidade compartilhada.

Referências

  1. 1.Aniceto MolinaWikipedia contributors, Wikipedia, Lead; Life
  2. 2.Cumbia (Colombia) - Wikipediaen.wikipedia.org, Lead; dance description; diffusion
  3. 3.Cumbia, chilena, gwoka, assiko, champeta, ndombolo…Primeras pistas para pensar puentes entre África, Afroamérica y el Caribe. Una lectura afrodecolonialS. Lefèvre, Zenodo (CERN European Organization for Nuclear Research), 2020, Abstract
  4. 4.Del sonido corralero al merequetengue: glocalidad, localidad regional y translocalidad musical en la Costa Chica de MéxicoCarlos Ruiz-Rodríguez, Revista CS, 2021, Abstract
  5. 5.Mexican cumbia - Wikipediaen.wikipedia.org, Lead
  6. 6.Peut-on parler de musique « noire » au Mexique, pays de l’indigénisme ?Sébastien Lefèvre, Volume !, 2011, Abstract
  7. 7.Aniceto MolinaWikipedia contributors, Wikipedia, Life
  8. 8.Del sonido corralero al merequetengue: glocalidad, localidad regional y translocalidad musical en la Costa Chica de MéxicoCarlos Ruiz-Rodríguez, Revista CS, 2021, Abstract
  9. 9.Chilena, cumbia, disco y división social de las actividades recreativas en AcapulcoÓscar Basave Hernández, Balajú Revista de Cultura y Comunicación de la Universidad Veracruzana, 2024, Resumen
  10. 10.Aniceto MolinaWikipedia contributors, Wikipedia, Life; Discography
  11. 11.Aniceto MolinaWikipedia contributors, Wikipedia, Life; Death; Discography
  12. 12.Cumbia, chilena, gwoka, assiko, champeta, ndombolo…Primeras pistas para pensar puentes entre África, Afroamérica y el Caribe. Una lectura afrodecolonialS. Lefèvre, Zenodo (CERN European Organization for Nuclear Research), 2020, Abstract

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Bailar Editorial Team. (2026). Aniceto Molina. Bailar Biblioteca. Recuperado em July 5, 2026, de https://getbailar.com/biblioteca/encyclopedia/cumbia/performers/aniceto-molina

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Editor-chefe: Paul Thomas Plawin

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