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Merengue e a Diáspora Dominicana em Nova Iorque

Migração, assentamento e a reprodução da identidade musical dominicana em Nova Iorque e no Nordeste mais amplo

Contexto cultural3 min de leitura14 citações

Merengue, amplamente reconhecido como a música nacional e dança de casal da República Dominicana, tornou‑se um marcador definidor da identidade dominicana quando a migração em larga escala o transportou para as cidades dos Estados Unidos. Nova Iorque emergiu como a âncora demográfica e cultural da diáspora dominicana, assim como a mesma metrópole havia anteriormente se tornado o principal centro da vida puertorriquenha no continente, o meio do qual surgiu o rótulo "Nuyorican".[2] Até 2024 cerca de 2,5 milhões de residentes de ascendência dominicana viviam em todo o território dos Estados Unidos, ocupando a quinta posição entre os grupos hispânicos a nível nacional e a segunda no Nordeste, atrás apenas dos puertorriquenhos.[1]

A diáspora contemporânea é, pelos padrões históricos, uma formação recente. Um marinheiro dominicano que se tornou comerciante, Juan Rodríguez, está registrado como tendo chegado a Manhattan já em 1613, e números modestos mais tarde passaram pela Ellis Island ao longo dos séculos XIX e início do XX, porém a migração em massa sustentada começou apenas na década de 1960, após o colapso da ditadura de Trujillo.[3] Essa ruptura política, mais do que qualquer deriva econômica gradual, estabeleceu a base demográfica da comunidade de Nova Iorque que se seguiria.

A presença dominicana em Nova Iorque convida à comparação com o assentamento puertorriquenho, mais antigo e maior, que o precedeu. Os puertorriquenhos são o segundo maior grupo hispânico nos Estados Unidos, atrás dos mexicanos, e a Grande Nova Iorque abriga a maior população puertorriquenha do país, permanecendo seu principal centro cultural e histórico.[2] Assim, os dominicanos ingressaram em um ambiente urbano já moldado por décadas de migração caribenha, e as duas populações, distintas em nacionalidade e repertório, passaram a ocupar distritos sobrepostos do Nordeste urbano.

A produção acadêmica sobre a diáspora enfatiza que a identidade cultural é ativamente reproduzida no exterior, e não meramente mantida. Um estudo de comunidades dominicanas migrantes ativas online constatou que os participantes expressavam pertencimento de forma mais contundente por meio da prática cultural, com comida, música, dança e escrita servindo como marcadores centrais de uma identidade dominicana compartilhada.[4] Nesse contexto, o merengue funciona menos como ornamento nostálgico do que como um instrumento vivo de auto‑definição, sendo a mesma pesquisa posicionada ao lado da língua e de categorias contestadas de etnia e raça como outros âncoras da subjetividade diasporica.[4] Essa pesquisa ainda observou que os sistemas de classificação racial nos Estados Unidos divergem daqueles usados na República Dominicana, complicando a definição da identidade diasporica.[4]

A vida cultural da diáspora também é fortemente transnacional, sustentada por intercâmbio contínuo entre o assentamento e a terra natal. O mesmo estudo observa que os migrantes canalizam recursos econômicos, sociais, políticos e culturais de volta ao país de origem, e que as plataformas digitais ampliaram essas conexões para membros de segunda e terceira geração que talvez nunca tenham vivido na ilha.[5] O assentamento dominicano nunca esteve confinado a Nova Iorque, ademais: em Rhode Island, os dominicanos constituem o maior grupo hispânico,[2] e a comunidade dominicana de Providence tem sido objeto de estudo acadêmico.[6]

Referências

  1. 1.Dominican AmericansWikipedia contributors, Wikipedia
  2. 2.Stateside Puerto RicansWikipedia contributors, Wikipedia
  3. 3.Dominican AmericansWikipedia contributors, Wikipedia
  4. 4.Transnational Spaces in the Virtual World : Dominican Migrant Communities in the Social MediaMari Lauri, Työväentutkimus Vuosikirja, 2012
  5. 5.Transnational Spaces in the Virtual World : Dominican Migrant Communities in the Social MediaMari Lauri, Työväentutkimus Vuosikirja, 2012
  6. 6.The Providence Dominican communityBenjamin Bailey, ScholarWorks@UMassAmherst (University of Massachusetts Amherst), 2000
  7. 7.Stateside Puerto RicansWikipedia contributors, Wikipedia
  8. 8.Stateside Puerto RicansWikipedia contributors, Wikipedia
  9. 9.The Providence Dominican communityBenjamin Bailey, ScholarWorks@UMassAmherst (University of Massachusetts Amherst), 2000
  10. 10.Transnational Spaces in the Virtual World : Dominican Migrant Communities in the Social MediaMari Lauri, Työväentutkimus Vuosikirja, 2012
  11. 11.Transnational Spaces in the Virtual World : Dominican Migrant Communities in the Social MediaMari Lauri, Työväentutkimus Vuosikirja, 2012
  12. 12.Transnational Spaces in the Virtual World : Dominican Migrant Communities in the Social MediaMari Lauri, Työväentutkimus Vuosikirja, 2012
  13. 13.Transnational Spaces in the Virtual World : Dominican Migrant Communities in the Social MediaMari Lauri, Työväentutkimus Vuosikirja, 2012
  14. 14.Transnational Spaces in the Virtual World : Dominican Migrant Communities in the Social MediaMari Lauri, Työväentutkimus Vuosikirja, 2012

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Bailar Editorial Team. (2026). Merengue e a Diáspora Dominicana em Nova Iorque. Bailar Biblioteca. Recuperado em July 5, 2026, de https://getbailar.com/biblioteca/encyclopedia/merengue/cultural-context/merengue-and-the-dominican-diaspora-nyc

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Bailar Editorial Team. “Merengue e a Diáspora Dominicana em Nova Iorque.” Bailar Biblioteca, 2026, getbailar.com/biblioteca/encyclopedia/merengue/cultural-context/merengue-and-the-dominican-diaspora-nyc. Acessado em 5 July 2026.

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Bailar Editorial Team. “Merengue e a Diáspora Dominicana em Nova Iorque.” Bailar Biblioteca. Acessado em July 5, 2026. https://getbailar.com/biblioteca/encyclopedia/merengue/cultural-context/merengue-and-the-dominican-diaspora-nyc.

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