Alcione
Vocalista brasileira de samba no discurso acadêmico
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Alcione é identificada como figura principal em um estudo acadêmico de 2019 sobre samba, que a agrupa com Beth Carvalho e Clara Nunes[2]. O estudo, intitulado “O ABC do samba: Alcione, Beth Carvalho e Clara Nunes”, a situa dentro do panteão de vocalistas brasileiros da metade do século XX[2]. Ao colocar Alcione ao lado de suas contemporâneas, o trabalho enfatiza sua relevância para a evolução da música popular baseada em samba[2]. O artigo aparece em um periódico peer‑reviewed dedicado à historiografia musical brasileira, indicando reconhecimento acadêmico de suas contribuições artísticas[2]. Consequentemente, a carreira de Alcione é frequentemente analisada sob a ótica das transformações culturais mais amplas do samba[2].
O samba surgiu nas comunidades Afro‑brasileiras da Bahia no final do século XIX e início do século XX, espalhando‑se posteriormente para o Rio de Janeiro, onde se tornou um símbolo nacional[1]. O termo originalmente designava uma dança popular antes de se expandir para englobar um estilo rítmico, um gênero musical e um emblema cultural[1]. Na década de 1910, a primeira gravação marcante do gênero, “Pelo Telefone”, sinalizou seu surgimento como forma musical distinta, embora suas bases rítmicas permanecessem ligadas ao maxixe[1]. O paradigma Estácio do final da década de 1920 introduziu um formato de canção estruturado, acelerando o tempo e enfatizando a sincopação percussiva[1]. Essa modernização facilitou a proliferação das escolas de samba e da radiodifusão, que juntas ampliaram o alcance do gênero em todo o Brasil[1].
Desde sua era dourada, o samba diversificou‑se em sub‑gêneros como bossa nova, pagode, partido alto e samba‑canção, cada um preservando elementos rítmicos centrais enquanto explora novos territórios melódicos e líricos[1]. A adaptabilidade do gênero permitiu-lhe absorver influências da cultura urbana Carioca, das tradições rurais da Bahia e, posteriormente, de idiomatismos do jazz internacional[1]. Enquanto alguns sub‑gêneros alcançaram aclamação crítica, outros—como “samba do barulho” ou o pejorativo “sambalada”—refletiram julgamentos estéticos contestados dentro da indústria musical[1]. Na década de 1990, o status simbólico do samba se consolidou, representando tanto a identidade popular quanto o endosso cultural da elite[1]. Estudos apontam que essa dualidade continua a moldar interpretações contemporâneas da herança do gênero[1].
Além da performance, o samba funciona como uma modalidade terapêutica; um protocolo de 2015 demonstrou que quinze pacientes cardíacos puderam manter frequências cardíacas entre 62 % e 72 % de seu pico durante passos de samba estruturados, atingindo zonas de treinamento alvo sem esforço percebido excessivo[3]. O desenho de três tempos do protocolo—lento, médio, rápido—espelhou a flexibilidade rítmica tradicional do samba, sustentando sua adequação ao condicionamento cardiovascular[3]. Paralelamente, as escolas de samba produzem composições de samba‑enredo que incorporam memória histórica e narrativas de resistência, como evidenciado por análises de desfiles de carnaval de 2020 que destacaram crítica política[4]. Essas escolas, portanto, servem como laboratórios culturais onde música, coreografia e comentário social se intersectam[4]. A convergência de saúde, educação e expressão política ressalta o papel multifacetado do samba na sociedade brasileira[4].
Em suma, a inclusão de Alcione em um monográfico acadêmico dedicado reflete sua posição entre as vocalistas mais influentes do gênero, enquanto o contexto mais amplo das origens, diversificação e funções sociais do samba fornece um quadro para compreender seu impacto artístico[2]. A trajetória histórica do gênero—das raízes Afro‑brasileiras ao emblema nacional, da intervenção em saúde ao veículo de resistência—continua a informar avaliações contemporâneas de intérpretes como Alcione[1]. Pesquisas em curso sobre as formas evolutivas do samba prometem iluminar ainda mais as contribuições de artistas que moldaram seu legado ao longo de décadas[2].
Referências
- 1.Samba - Wikipedia — en.wikipedia.org
- 2.O ABC do samba: Alcione, Beth Carvalho e Clara Nunes — Marilda Santanna, EDUFBA eBooks, 2019
- 3.Protocolo de samba brasileiro para reabilitação cardíaca — Helena de Oliveira Braga, Revista Brasileira de Medicina do Esporte, 2015
- 4.Memórias e resistência na poética das escolas de samba — Jackson Raymundo, Literatura e Autoritarismo, 2021
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Bailar Editorial Team. (2026). Alcione. Bailar Biblioteca. Recuperado em July 5, 2026, de https://getbailar.com/biblioteca/encyclopedia/samba/performers/alcione
Bailar Editorial Team. “Alcione.” Bailar Biblioteca, 2026, getbailar.com/biblioteca/encyclopedia/samba/performers/alcione. Acessado em 5 July 2026.
Bailar Editorial Team. “Alcione.” Bailar Biblioteca. Acessado em July 5, 2026. https://getbailar.com/biblioteca/encyclopedia/samba/performers/alcione.
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Editor-chefe: Paul Thomas Plawin
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