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Ataulfo Alves

Compositor e cantor mineiro da Idade de Ouro do samba da metade do século

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Fontes limitadas: esta é uma entrada concisa, feita com o melhor esforço, que pode ser ampliada conforme mais material estiver disponível.

Ataulfo Alves de Sousa (1909–1969) está entre os compositores e vozes cantantes definidores do samba brasileiro nas décadas que circundam a Segunda Guerra Mundial, uma carreira que acompanhou a passagem do gênero da associação de bairro ao estúdio nacional de gravação.[1] Ao contrário dos sambistas cariocas nascidos nas comunidades de morros do Rio de Janeiro, Alves chegou à capital vindo do interior: nasceu em 2 de maio de 1909 em Miraí, município da Zona da Mata de Minas Gerais, um dos sete filhos de um guitarrista e repentista localmente conhecido como 'Capitão' Severino.[2] A música rural improvisatória da geração de seu pai contrastava com o idioma comercial, voltado ao estúdio, que Alves adotaria ao se estabelecer no Rio.[2]

Alves mudou-se para o Rio de Janeiro aos dezoito anos, trabalhando como assistente de um médico em uma farmácia enquanto absorvia a vida musical da cidade; em poucos anos passou a tocar instrumentos de corda e tornou‑se diretor de harmonia do Fale Quem Quiser, um bloco do bairro Rio Comprido.[3] Sua entrada no mundo profissional de gravações ocorreu em 1933, quando o cantor Almirante gravou sua composição 'Sexta‑feira', e Carmen Miranda logo registrou outra de suas peças, 'Tempo Perdido', consolidando sua posição na indústria.[4]

A colaboração mais intimamente associada a Alves foi sua parceria com Mário Lago, advogado, poeta e locutor de rádio que se voltou à escrita de letras de samba nas décadas de 1940 e 1950.[5] Juntos produziram 'Ai! que saudade da Amélia' e 'Atire a primeira pedra', enquanto o próprio catálogo de Alves continha títulos duradouros como 'Laranja madura' e 'Mulata assanhada'.[6]

Estudos acadêmicos abordaram o repertório de Alves a partir de várias perspectivas. Um conjunto de trabalhos examina as personagens femininas em seus sambas dos anos 1940 e 1950, classificando‑as em tipos opostos — mulheres que sustentam o mundo masculino e mulheres que o desfazem — e situa essa produção na chamada Época de Ouro da música popular brasileira.[7] Outra leitura coloca o samba de 1940 'O bonde de São Januário', escrito com Wilson Batista, dentro dos debates sobre trabalho e o trabalhador, observando que surgiu sob a censura do Estado Novo de Getúlio Vargas.[8] Uma terceira linha de investigação interpreta suas letras como uma 'filosofia de botequim', uma filosofia de bar transmitida por um pensamento popular sincopado que transformou questões de sorte, vida, morte e felicidade em canção.[9]

Ao longo de aproximadamente quatro décadas, Alves acumulou uma discografia com mais de 320 músicas, e também apareceu na tela no filme de 1958 'Three Loves in Rio'.[10] Morreu no Rio de Janeiro em 29 de abril 1969, poucos dias antes de completar sessenta anos, em decorrência de complicações de uma úlcera pós‑cirúrgica, e foi sepultado no Cemitério do Catumbi.[11] Sua memória tem sido mantida por reconhecimentos póstumos, incluindo uma coleção memorial e mausoléu em sua terra natal, Miraí, e a Ordem do Mérito Cultural concedida em 2009.[12] Músicos posteriores continuaram a revisitar sua obra; a banda Metrô, por exemplo, incluiu uma versão entre os standards brasileiros em seu álbum de 2002 'Déjà‑Vu',[13] e intérpretes como Clara Nunes e Luiz Melodia gravaram suas próprias versões de seus sambas.[14]

Referências

  1. 1.Ataulfo AlvesWikipedia contributors, Wikipedia, lead
  2. 2.Ataulfo AlvesWikipedia contributors, Wikipedia, Biography
  3. 3.Ataulfo AlvesWikipedia contributors, Wikipedia, Biography
  4. 4.Ataulfo AlvesWikipedia contributors, Wikipedia, Biography
  5. 5.Mário LagoWikipedia contributors, Wikipedia, lead
  6. 6.Ataulfo AlvesWikipedia contributors, Wikipedia, lead
  7. 7.As mulheres que fazem o samba: Um estudo da personagem feminina nos sambas de ataulfo alves (décadas de 1940-50)Larissa A. de Oliveira, Dialnet (Universidad de la Rioja), 2015
  8. 8.Ethos discursivo e sentidos sobre trabalho no sambaMarília Giselda Rodrigues, MOARA – Revista Eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Letras ISSN 0104-0944, 2013
  9. 9.“Filosofia de botequim”: síncopa, samba, a vida e o pensamento popular de Ataulfo AlvesFrancisco Antonio Romanelli, Scripta, 2018
  10. 10.Ataulfo AlvesWikipedia contributors, Wikipedia, Biography
  11. 11.Ataulfo AlvesWikipedia contributors, Wikipedia, Biography
  12. 12.Ataulfo AlvesWikipedia contributors, Wikipedia, Biography
  13. 13.Déjà-Vu (Metrô album)Wikipedia contributors, Wikipedia
  14. 14.Ataulfo AlvesWikipedia contributors, Wikipedia, Biography

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Bailar Editorial Team. (2026). Ataulfo Alves. Bailar Biblioteca. Recuperado em July 5, 2026, de https://getbailar.com/biblioteca/encyclopedia/samba/pioneers/ataulfo-alves

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Bailar Editorial Team. “Ataulfo Alves.” Bailar Biblioteca, 2026, getbailar.com/biblioteca/encyclopedia/samba/pioneers/ataulfo-alves. Acessado em 5 July 2026.

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Editor-chefe: Paul Thomas Plawin

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