Milonga
Gênero musical e forma de dança do Río de la Plata
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A milonga se apresenta tanto como um gênero musical quanto como uma forma de dança de pares que surgiu nos ambientes urbanos da bacia do Río de la Plata, com seu desenvolvimento mais concentrado ocorrendo em Buenos Aires, capital da Argentina, e Montevidéu, capital do Uruguai.[1] Enquanto forma cultural, ocupa uma posição de importância fundamental na história musical do Cone Sul, tendo tanto moldado quanto alimentado o desenvolvimento do tango argentino, ao mesmo tempo em que persiste como um veículo independente de música composta e verso vernacular.
O fundamento geográfico da milonga reflete as condições mais amplas da sociedade do Río de la Plata nos séculos XIX e início do XX. Buenos Aires, cidade cuja população se expandiu dramaticamente por sucessivas ondas de imigração europeia, gerou as condições de encontro intercultural que os estudiosos identificam como essenciais à formação da milonga.[2] A evolução da cidade para uma metrópole multicultural, atraindo residentes de diversas origens étnicas e religiosas ao longo de muitas gerações, criou o ambiente socialmente heterogêneo de onde novas formas híbridas poderiam surgir. Montevidéu, que se situa na margem nordeste do mesmo estuário, compartilha esse perfil demográfico e cultural e é consistentemente mencionada ao lado de Buenos Aires como um polo da tradição da milonga.[3]
A hibridação da prática rítmica africana com as convenções europeias de dança de pares, processo que historiadores da dança popular latino-americana rastreiam ao longo de todo o arco do mundo atlântico, produziu no Río de la Plata um conjunto de formas relacionadas das quais a milonga estava entre as mais enraizadas localmente. O estudo de Chasteen sobre ritmos nacionais na América Latina, revisado por Wade, identifica a milonga como tendo se cristalizado em ambientes urbanos onde as hierarquias sociais se desfocavam — salões de dança, circuitos de carnaval e locais de reunião comparáveis onde populações afrodescendentes se misturavam com imigrantes europeus e os pobres nativos.[4] Por volta de 1900, a milonga, ao lado de formas híbridas comparáveis do Brasil e de Cuba, conquistava aceitação da classe média e avançava rumo a uma nacionalização mais ampla na Argentina.[5]
A pesquisa sobre o tango enfatiza o papel da milonga como precursor direto e elemento constituinte desse gênero posterior. Pesquisadores identificaram seis estilos musicais principais que moldaram o tango: o tango andaluz, a habanera cubana, o candombe, a milonga, a mazurca e a polca europeia.[6]
Além de seu papel como forma de dança e precursor do tango, a milonga manteve uma vida paralela como música composta e expressão literária. O músico uruguaio José Pierri Sapere (1886–1957) produziu partituras escritas nesse gênero, entre elas uma peça intitulada "Milonga en Do", atestando a aceitação da forma dentro da tradição da composição notada do Río de la Plata.[7] O escritor argentino Jorge Luis Borges incluiu uma "Milonga de Manuel Flores" em seleções de sua obra, situando a forma dentro de uma tradição de verso vernacular associada ao gaúcho.[8] A pesquisa de folclore argentino abordou especificamente o caráter dual poético e musical da milonga, reconhecendo-a como um gênero que abrange letra junto à expressão rítmica.[9] Entre compositores profissionais ativos no mundo do tango de Buenos Aires, a milonga manteve-se como uma forma prestigiosa e reconhecida: a peça "Taquito militar" de Mariano Mores — pianista, compositor e diretor de orquestra de Buenos Aires — foi eleita a melhor milonga do século em uma enquete popular.[10]
Referências
- 1.milonga — Wikidata contributors, Wikidata
- 2.Buenos Aires — Wikipedia contributors, Wikipedia
- 3.Montevideo — Wikipedia contributors, Wikipedia
- 4.National Rhythms, African Roots: The Deep History of Latin American Popular Dance — Peter Wade, Hispanic American Historical Review, 2005
- 5.National Rhythms, African Roots: The Deep History of Latin American Popular Dance — Peter Wade, Hispanic American Historical Review, 2005
- 6.Tango — Wikipedia contributors, Wikipedia
- 7.Jose Pierri Sapere 1988 — José Pierri Sapere (1886-1957), 1988
- 8.Borges, a reader : a selection from the writings of Jorge Luis Borges — Borges, Jorge Luis, 1899-1986, author, 1981
- 9.Dupey Cosechando todas las voces: folklore, identidades y territorios — Dupey, A. Fischamn, F. Hirose, B. Fernández, C., Gualmes, M. Aranda,R. Díaz, C. Díaz Acevedo, Sayago, D.Goyena, H.Randisi,L. Palma, H. Molina, A.Blanes G. Rodríguez, K. Epulef, M. Pisarello, C.Moreno Cha E. Hechenleitner, A. Palleiro, M. I.Welschinger, D. Bello, 2018
- 10.Mariano Mores — Wikipedia contributors, Wikipedia
- 11.Interactive Tango Milonga — Courtney Brown, 2015, 2015
- 12.Jose Pierri Sapere 1988 — José Pierri Sapere (1886-1957), 1988, 1988
- 13.Jose Pierri Milonga — José Pierri Sapere (1886-1957)
- 14.Dupey Cosechando todas las voces: folklore, identidades y territorios — Dupey, A. Fischamn, F. Hirose, B. Fernández, C., Gualmes, M. Aranda,R. Díaz, C. Díaz Acevedo, Sayago, D.Goyena, H.Randisi,L. Palma, H. Molina, A.Blanes G. Rodríguez, K. Epulef, M. Pisarello, C.Moreno Cha E. Hechenleitner, A. Palleiro, M. I.Welschinger, D. Bello, 2018, 2018
- 15.Borges, a reader : a selection from the writings of Jorge Luis Borges — Borges, Jorge Luis, 1899-1986, author, 1981
- 16.Mariano Mores — Wikipedia contributors, Wikipedia
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Bailar Editorial Team. (2026). Milonga. Bailar Biblioteca. Recuperado em July 5, 2026, de https://getbailar.com/biblioteca/encyclopedia/milonga/overview
Bailar Editorial Team. “Milonga.” Bailar Biblioteca, 2026, getbailar.com/biblioteca/encyclopedia/milonga/overview. Acessado em 5 July 2026.
Bailar Editorial Team. “Milonga.” Bailar Biblioteca. Acessado em July 5, 2026. https://getbailar.com/biblioteca/encyclopedia/milonga/overview.
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